A sopa de lixo no Pacífico
Julho 9, 2008 | filed under: Decepção, Meio Ambiente, acasos da vida

A sopa de lixo no Pacífico
Cabem dois EUA na plataforma de sujeira encontrada no oceano e formada sobretudo por resíduos de plástico.

Por Luciana Sgarbi

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Foi durante uma alegre competição de barco a vela que o oceanógrafo americano Charles Moore se deparou com algo trágico: um gigantesco depósito de lixo em pleno mar. “Fiquei impressionado, de repente estava no meio daquilo. Para onde eu olhava, via lixo”, diz ele. A 500 milhas náuticas (cerca de 920 quilômetros) da costa da Califórnia, no oeste dos EUA, esse depósito estava e ainda está lá. A primeira e mais importante questão é saber como essa mancha se formou e cresceu. A primeira e mais importante resposta, impressionante e assustadora, é que a grande sujeira que muitas vezes se tenta esconder debaixo do imenso tapete de mar é fruto da falta de consciência ambiental - um dia ela aparece e bóia, um dia a atitude predatória vem à tona, ainda que seja em meio a uma tranqüila regata. “Toda vez que eu ia ao deque via coisas boiando. Como nós conseguimos sujar uma área tão enorme?”, pergunta Moore. O especialista que passou anos em seu barco estudando essa área (do Havaí até quase o Japão) revela que a mancha tem mais de dez anos. E suas proporções são assustadoras: “Ali existem cerca de 100 milhões de toneladas de detritos.” A formação desse megaentulho, apelidado pelos especialistas de “sopa plástica”, é atribuída a dois fatores combinados: ação humana e ação da natureza. Os pesquisadores contabilizam que um quinto dos resíduos foi jogado de navios ou plataformas petrolíferas, e inclui itens como bolas de futebol, caiaques, sacolas plásticas e restos de naufrágios. O restante veio da terra. No mar, esse lixo flutuante acabou se agrupando por influência das correntes marítimas. E então ficou vagando.

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Ironia do destino, Charles Moore era herdeiro de uma família que fez fortuna com a indústria do petróleo, e o plástico que compõe a tal “sopa” é feito justamente a partir de petróleo - demora aproximadamente 300 anos para se decompor. Hoje, Moore vendeu o seu negócio e se tornou um ativista ambiental, criando nos EUA a Fundação de Pesquisa Marítima Algalita. O diretor de pesquisa dessa fundação, o ativista ecológico Marcus Eriksen, relata a impressão que teve quando viu pela primeira vez a imensa lixeira: “Parece uma ilha de lixo plástico sobre a qual se pode andar. É uma sopa de plástico, uma coisa sem fim que ocupa uma área que pode corresponder a até duas vezes o tamanho dos EUA.” Pode ser que os milhões de toneladas tenham passado despercebidos pelas autoridades ambientais e sua tecnologia - translúcida, a mancha flutua rente à linha da água e, por isso, pode ser imperceptível aos satélites. Mas, de acordo com o Programa Ambiental da ONU, detritos de plástico constituem 90% de todo o lixo flutuante nos oceanos. Estima-se que 46 mil peças de plástico provoquem anualmente a morte de mais de um milhão de aves e de outros 100 mil mamíferos marinhos. Seringas, isqueiros e escovas já foram encontrados no estômago desses animais depois de mortos.

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A gravidade do problema soou como um alarme aos ouvidos de especialistas de todo o mundo. O oceanógrafo David Karl, da Universidade do Havaí, pretende coordenar uma expedição para estudar o problema ainda este ano, pois acredita que esse lixo no Pacífico já formou um novo habitat marinho. Tão cedo, porém, essa situação não será resolvida. A área, conhecida como “giro Pacífico norte”, é um local onde o oceano é calmo devido aos poucos ventos e aos sistemas de pressão extremamente altos. Essas condições naturais estariam “segurando a sujeira”. “Da mesma forma que ela está presa naquele redemoinho, a sociedade está presa a maus costumes”, diz Moore. E com razão: até pesquisadores da Agência Espacial Americana (Nasa) e de agências russas estão acostumados a despejar toneladas de resíduos de suas espaçonaves no oceano Pacífico. A nave russa Progress M-59, por exemplo, teve seus fragmentos carbonizados e lançados ao mar - uma tonelada de lixo. Em forma de chuva de metal incandescente, os destroços caíram em uma zona entre a Oceania e as Américas (a mesma região da sopa) e, assim, o caldo de trambolhos e quinquilharias foi ganhando proporções cada vez maiores.

A fiscalização para evitar agressões ao meio ambiente em geral costuma ser fraca, e mais inoperante ainda é a fiscalização que deveria proteger o ambiente marinho - a absurda sopa de lixo no Pacífico comprova esse fato. Convenções internacionais determinam que todas as embarcações devem manter em recipientes adequados os seus resíduos produzidos a bordo, sendo proibido (e passível de multa) o seu descarte no mar - a Marinha brasileira estabelece punições pecuniárias que vão de R$ 7 mil a R$ 50 milhões. Uma vez boiando nos oceanos, no entanto, esses resíduos passam a ser sujeira sem dono - como ponta de cigarro na rua. Ainda que se saiba a sua procedência, é impossível responsabilizar culpados. Por isso a fiscalização é teórica e ineficaz, por isso formam-se lixões como o do Pacífico, por isso a humanidade, feito suicida, emporcalha aquilo que é a principal condição biológica para a sua sobrevivência - a água.

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* É isso que nos seres humanos fazemos com nossa vida, com nossa fonte de sobrevivência, lixo… lixo… lixo… conscientizem-se pessoas, logo penso que ter filhos e ver eles passarem por dificuldades dessas… é algo tão triste… até faz pensar em não tê-los… e privá-los de tamanha tragédia.

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See ya honeys ;)



8 comments for “A sopa de lixo no Pacífico”

primeiro de tudo, gostei mt do seu lay! bem diferente…
:D

e gente, que horror! eu n fazia a mínima idéia que existia tal mancha tão grande!
cara, eu fico mt puita qd vejo alguém jogando lixo na rua, desperdiçando água..
é dose!
=/

beijoos


Oiie… eu gostei muito do conteúdo do seu blog. Parabéns! Faz um tempinho que vc passou no meu e comentou e eu nem tinha visto :s… já que não publico o meu em lugar algum.. hehe. Pois é…a-d-o-r-o francês, mas não fiz nenhum curso ainda. Qro fzr Aliança.
Quanto ao post: eu odeeeio o desperdício de água ò.Ó .. tenho pavor ao que o capitalismo faz pra o nosso meio ambiente.. pessoas consumindo cada vez mais sem nenhuma responsabilidade. O lixo é um ícone disso tudo. Bjos

Marílias last blog post..Romântica incurável


Realmente e uma desgraça! Parece que as pessoas pouco se importam! Um dia a natureza se vinga!

Big bjs

Lunnas last blog post..Cinepipoca nas férias


Triste né?
eu penso 2 vezes antes de ter filhos, se não fosse um grande sonho eu nem os teria…o planetinha esta com os dias contados..será que tem volto…eu creio que não!


Meu Deus!
Que absurdo! não sabia que o ser humano chegava a tal ponto!
isso é o cumulo do absurdo, o dia que fikrmos sem talvez iremos parar =/~
Bjos, amei o post =*

Karoru-chans last blog post..Tema Novo


É horrível vermos essa calamidade mesmo…. é realmente de se pensar seriamente em colocar filhos no mundo no estado em que se encontra o planeta!!!!
Adorei seu post, é muito bom ver que ainda tem pessoas que se importam!!!
bjinhos e um ótimo fim de semana!!!

Bárbaras last blog post..Férias, Praia e muita diversão!


Estou chocada!!!!! Como pode? Ou Os EUA estava sabendo e não disse nada ou alguma outra coisa aconteceu. Porque é impossível isso ficar assim tanto tempo, anos, sem ser descoberto! ABSURODO!
Também penso em não ter mais filhos…

É triste o nosso fim…

Julianas last blog post..Hancock e Cidade do Sol


aah, eu falei disso em um trabalho que eu fiz pra faculdade sobre o lixo, tivemos que saber exatamente tudo sobre o lixo, aí comentei sobre toooodas essas coisas aí… ééé ;x



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